terça-feira, 6 de setembro de 2011

O sentimento não pode parar ou acabou?

Há muito tempo eu tava pensando em fazer os poucos que leem esse blog pensar. Uma postagem pra discutir mesmo. Nesse semestre estou tendo uma aula que faz a gente analisar as notícias veiculadas em certo jornal, revista ou canal de televisão. Acho que esse é um bom dia pra fazer essa pergunta, faltando 4 dias pro dia 11 de setembro. Esse ano completamos 10 anos dos atentados, blablabla. Será que o sentimento acabou?


Há 10 anos eu tava na 5ª série do Colégio Militar de Juiz de Fora, estudando o que tinha que estudar. Fui saber da "treta" só no final da tarde, ao chegar do colégio. No começo achei engraçado, mas quando vi a loucura, vi que era muito errado. As pessoas correndo pra lá e pra cá, se jogando do 100º andar e etc. No dia seguinte, todos os jornais do mundo condenando as ações e uma chamou muito a atenção. Eu até já citei e publiquei essa matéria aqui. A matéria do Le Monde de 12 de setembro de 2001 mostrava o sentimento norte-americano, latino-americano, europeu e asiático. "Nous sommes tous americains".


Junto com essa afirmação, veio uma outra tão forte quanto, do Presidente Bush, que dizia: "Justice will be done", horas depois dos atentados. Receberam carta branca da Conselho de Segurança da ONU, da Assembleia da ONU e de todos os países, seja oriental ou ocidental. A guerra estava declarada e a caça a todos aqueles que pensavam em fazer mal ao ocidente estava aberta. No mesmo ano o movimento Talibã foi deposto do poder no Afeganistão. Dois anos depois foi a vez de Saddam Hussein ver São Pedro mais de perto. Mas foi ai que o "sentimento" começou a diminuir. A falsificação de documentos e a invasão não autorizada enfraqueceu todo aquele sentimento que o mundo tinha a favor dos EUA. Foi ai que o mundo disse: "Ah, então é assim? Nous sommes tous americains pas" (Não somos todos americanos).


Soldados começaram, já nos primeiros meses, a morrer e a guerra, tanto no Iraque quanto no Afeganistão, parece não ter fim. Eleições foram feitas, foram escolhidos os "representantes do povo" que o Governo Americano queria, mas a democracia não vem dando certo. Como uma coisa vai dar certo se ninguém sabe o que é? A ocupação não vem dando certo e cada vez mais dinheiro é gasto pra manutenção da guerra interminável.

As eleições americanas vieram e Obama parecia que poderia salvar aquele sentimento. Bom, de início sim. Foi a posse presidencial mais assistida da história. Os quatro cantos do planeta estavam assistindo a posse daquele que salvaria o mundo do terrorismo, da crise financeira e retiraria as tropas dos países invadidos. Mas esse último seria difícil de acontecer, porque americanos tem uma coisa chamada "PATRIOTISMO", que 90% das pessoas do mundo, quando estão em seu país, não sabem o que significa. Tudo pelo interesse americano, e se isso significa não retirar tropas, não vamos retirar! A crise financeira apresentou grandes melhores após a posse e hoje o capitalismo tá capengando. Nada que 5 anos faça melhorar as coisas. E o terrorismo...é, esse diminuiu.  (Pouco mas...)


O ano de 2011 é ou era aquele que o velho sentimento voltaria. Dez anos dos atentados, tudo poderia (ainda pode) acontecer. Mais atentados, retirada de tropas ou até mesmo a decadencia terrorista. Na madrugada de 1 de maio, o sentimento voltou. Eu tava viajando de Ouro Preto/MG pro Rio de Janeiro, abri o Globo.com no onibus e não tava entendendo nada vendo as fotos. Os EUA venceram a Copa do Mundo e eu não sei? Não...o maestro da ópera tinha passado dessa pra melhor. "Justice has been done", disse o Presidente Obama. E o mundo comemorou aquela vitória.

Invadiram o Paquistão, desceram o dedo em todo mundo e deram aquele "headshot varado" no Osama. Ilegal? Pode ser, mas será eternamente legítimo. Nessas horas o mundo pensa naqueles 4 aviões, 3 prédios destruídos e 4000 mortos. Que esteja morto, mas bem morto, foi o pensamento ocidental naquela hora e o sentimento tinha voltado. 

Após o 1 de maio, veio a Primavera Árabe. Vitória democrática do Presidente Obama. Vitória ideológica do ocidente. Um belo presente de aniversário de atentado. Não tenho dúvidas que a "Revolução" foi idelizada pela CIA e que ficaram esses 10 anos pensando em como enfraquecer o lado de lá. O preço foi alto, talvez 10 anos de guerra foram inúteis, mas o desfecho, pelo menos ideológico, foi sensacional. 

A legitimidade da "Guerra ao Terror" não é como era antes, em 2001. Mas ainda temos aquele sentimento de que as ações não podem parar. E o que voces acham? O sentimento acabou? Tá acabando? Não pode parar?

1 comentários:

Marcus Vinicius disse...

Sou leitor do seu blog e to de acordo com 99% do que postou. Acho que até os americanos hoje veem que os 10 anos de guerra foram pesados de mais até pra eles, mas como começar "Justice will be done" se não com uma guerra? Eles não podiam pretender fazer ataques e só ataques como fizeram no HEADSHOT mais famoso dá história, tinham que mostrar quem era mais. Agora as perguntas: Acho que o sentimento não acabou não só está guardado. Não ta acabando e JAMAIS pode parar porque é isso que eles esperam pra 1 novo ataque.

''São os pequenos brilhos que encantam, os holofotes cegam!''
Clarice Lispector.

Com essa frase é aquilo, tem que se manter o cuidado, mas sem guerras e coisas gigantecas que podem cegar o sentido das coisas.